A gente escuta muito falar sobre improvisação musical e que apenas músicos profissionais podem realizar esse feito. Mas tudo isso não passa de um mito, e eu vou mostrar para você como qualquer um pode improvisar!

 

Improvisação musical é a arte de compor e registrar ao mesmo tempo; ou seja, é inventar na hora! Uma improvisação pode ser uma harmonia, uma melodia, um solo, um riff, um ritmo, etc.

 

Essa arte diferencia músicos criadores de músicos reprodutores. Músicos reprodutores são aqueles que apenas reproduzem ou executam músicas prontas. Eles geralmente possuem técnica e boa leitura, mas são completamente engessados musicalmente (dependentes de um repertório) e não sabem o que estão fazendo, estão apenas seguindo uma receita de bolo. Músicos criadores não se limitam a apenas reproduzir músicas prontas; são capazes de alterá-las, incrementá-las, criar novas melodias ou harmonias automaticamente. Estes são músicos que sabem o que estão fazendo, são aqueles que entendem o que está por trás da cifra e da pauta. Podem dialogar musicalmente.

 

É esse tipo de músico que eu venho propondo para você. Acredito que todo mundo tem potencial para aprender a improvisar, basta saber um pouco de teoria e entender o que está fazendo no teclado. Por isso insisto muito nas aulas de teoria, de acordes, de campo harmônico, etc e etc.

 

Sabendo improvisar, você tem algumas vantagens:

 

  • Entende a música e tem ideias de como ela poderia ficar melhor (ou apenas gostaria que ela fosse de outra forma)
  • Não se perde quando esquece uma música, porque pode improvisar, fazer outras notas no mesmo tom.
  • Possui facilidade para compor, pois tem muitas ferramentas e recursos em mente
  • Possui um ouvido muito apurado (depois vou falar melhor sobre isso na próxima aula. Não precisa ter ouvido absoluto para ser um bom músico. O que importa é treinar o ouvido; apurar!)
  • Consegue se sair bem em situações inesperadas (músicas novas, alterações de repertório de última hora, falha de memória (branco), etc.)
  • Coloca sua própria identidade nas músicas

 

Motivador, não?!

 

Para ser capaz de improvisar, é necessário conhecer o assunto em questão. Por exemplo, em uma palestra, improvisar um discurso sobre felicidade pode parecer uma tarefa fácil, que muitos se arriscariam. Porém, quantas pessoas seriam capazes de falar sobre física moderna? Precisamos de conhecimento sobre o assunto, estudá-lo, se preparar. Assim, se houver algum branco, conseguimos explicar com outras palavras.

 

Na música é a mesma coisa, precisamos de um bom vocabulário (saber escolher palavras adequadas) e também precisamos conhecer o contexto em que estamos inseridos, para que as palavras façam sentido.

 

 

Certo, você me convenceu a querer improvisar. Mas como eu faço isso?

 

 

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Explicando de uma maneira bem simplista, basta conhecer as escalas básicas (por isso insisti tanto em escalas. Te eninei 3 formas de aprender escalas. Pode usar as 3 – recomendo!- ou usar aquela que te deixa mais confortável e te parece mais fácil) e saber identificar a tonalidade da música para se fazer um improviso. Isso tudo nós aprenderemos aqui no Descomplicando a Música, não se preocupe. Porém, não basta apenas conhecer escalas e tonalidade musical; tem que juntar as peças do quebra-cabeça para tocar.

 

Parece óbvio, mas não é. Um improvisador iniciante pode aprender a escala maior e entender onde aplicá-la, mas se ele não tiver algumas frases e links prontos desenhados na cabeça, o improviso vai ficar horrível.

 

Ninguém gosta de ouvir uma escala tocada para cima e para baixo sem dinâmica e ritmo. A beleza da música está justamente em saber desenhar frases musicais com as notas.

 

 

E como um improvisador iniciante conseguirá fazer isso?

 

 

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Ele deve começar pegando frases prontas de outros músicos, decorando-as e aplicando-as em vários contextos. Assim, ele vai desenvolver a habilidade de saber encaixar frases em músicas. Isso é essencial. O próximo passo é pegar essas mesmas frases e fazer pequenas alterações, tentando colocar suas ideias a partir das ideias das próprias frases. Após um certo tempo fazendo isso, o improvisador começará a criar as suas próprias frases do zero, sem precisar se basear em alguma frase pronta.

 

Muito bem, para quem nunca improvisou nada, adquirir essa habilidade leva tempo. É como tudo na vida: se o resultado é bom, o esforço precisa fazer merecer esse resultado. Recomendamos fortemente que o iniciante dedique-se bastante a pegar frases prontas e aplique elas em tonalidades maiores e menores. Essas frases podem fazer parte da escala maior e menor e com os acordes que aprendemos até agora. Esse deve ser o mundo inicial do improvisador. Ele precisa se sentir seguro nisso, pois é a base para aperfeiçoamentos futuros.

 

Mais para frente vou voltar a falar sobre improviso e te passar alguns exercícios para facilitar o improviso. Por enquanto, é essencial que você estude e tenha muito bem fixado as escalas e os acordes. Falei bastante sobre iprovisação para te mostrar o quanto é essencial essa teoria inicial, para fazer sentido e te motivar a estudar ainda mais.

 

Mãos à obra e até a próxima aula!

 

Musica sem limites - 02